Sabe o que deixa minha mulher louca? Quando ela me pega olhando fixamente para um objeto, quase que hipnotizado. Se estivermos falando de um artigo inútil ou obsoleto a preocupação então se eleva a enésima - ela sabe como minha mente doentia funciona.
Mas desta vez ela mesma criou o monstro ao decidir me levar ao Brás, tradicional bairro mercantil de São Paulo, para fazer umas pesquisas de tecidos. E se há uma coisa que o Coronel nunca recusa é uma boa incursão de campo.
Claro que em muito pouco tempo uma pesquisa paralela havia se iniciado.
Entendam, não sou um psicopata reciclador (não acreditem no que dizem por aí) mas há uma diferença entre procurar alucinadamente uma nova matéria prima ou perceber uma oportunidade ao vê-la dançando kan kan na sua cara. Importante ressaltar: não era minha mulher que dançava, mas sim tubos, tubos de papelão que estavam por todos os lados.
Este material tubular rendeu um bom safári, pois lá havia a disposição toda sorte de formatos, estreitos, largos, cônicos… Se desse para fazer jangada com estes dejetos, não teria mais ninguém em Cuba.
Qual a origem de tanto papelão?
Se você ainda não ligou os pontos, ou tem pouca familiaridade com o contexto, saiba que estes são usados como carretéis para tecidos comprados por metro, linhas de costura ou derivados.
Qualquer lugar que trabalhe com tecidos acaba tendo uma proliferação absurda de canudos pardos gigantes e no caso daquele famigerado sábado a rua estava repleta deles.
Me contive e não peguei nada, fui um marido-modelo. Mas mesmo assim, ainda fiquei matutando o que poderia fazer com um tubo daqueles… Um sofá? Uma prateleira? Uma cama?
Sim. Sim e…SIM! Mas já temos objetos demais em casa, afinal o site não se chama Reino Minimalista. Como já possuímos todas as alternativas de móveis citadas acima, fui obrigado a procurar algo diferente para fazer, priorizando a praticidade de ser algo que pudesse ter alguma utilidade para nosso lar.
“A felicidade bate à sua porta”
Na frente de meu trabalho apareceu, algumas semanas depois, um tubo largo pedindo para que eu o adotasse.
Em meu mundo existem 3 perguntas que antecedem pegar algum badulaque na rua:
1 - Você tem como levar?
2 - Está limpo?
3 - Não choveu no objeto em questão desde que ele foi desovado?
Claro que as perguntas 2 e 3 estão interligadas, pois tem relação não apenas com a higiene, mas também com a prevenção de problemas como mofo ou cupins.
Enfim, se a resposta às 3 questões forem positivas, pode pegar sem medo. Aliás, foi exatamente o que eu fiz.
Acreditem, contando deste jeito, tudo parece muito simples, mas acreditem: poder explicar aonde achar a matéria prima foi o que me rachou a cabeça neste artigo. Não posso escrever recomendando que as pessoas façam como eu e achem os objetos na rua.
Um tubo bem largo como esse pode ter varias origens, o meu servia para comportar uma lona de vinil, que tanto poderia ser utilizada para impressões de banner quanto para projeções.
Muito fora da sua praia?
Também podem ser usados canos de pvc para esgoto ou tubos super sanfonados para fiação elétrica Outra alternativa disponível em lojas de construção de grande porte é comprar tubos de papelão usados para moldar colunas de concreto armado. Vai de gosto e oportunidade, o importante é que não faltem alternativas.
O que fazer para resistir ao chamado da reciclagem sem levar um pito de sua cara metade? Aja com praticidade e bom senso.
Algumas mulheres inclusive consideram sapatos um item de necessidade básica, se precisassem perder peso para ganhar altitude em um balão jogariam ate a gôndola fora. Ou seja, uma sapateira nunca é demais. Aliás já percebeu como a maioria delas é feia por natureza?
Gosto da cor papelão contrastando com as paredes coloridas, o que me impulsiona a promulgar um novo lema esta semana - Pardo is beatiful!
Enquanto a frase não pega, vamos fazer um porta-sapatos?
FIGURA ” A “
Utilizando uma serra de arco, corte seu tubo em seções iguais, cada uma com 20 cm, assim um pouco do sapato pode ficar exposto e fica mais fácil de pôr ou tirar. Na dúvida, meça um par de tênis que esteja à mão para criar a sua medida.
FIGURA ” B “
Crie uma forma geométrica centralizando um tubo e orbitando os restantes à sua volta. As formas podem variar conforme a quantidade de peças disponíveis. Prenda um tubo no outro com fita adesiva a fim de criar uma estrutura sólida.
FIGURA ” C “
Agora sua sapateira está pronta, mas você pode pintá-la para dar charme. No meu caso, optei por pardo monocromático com fita de fechar caixas no mesmo tom.Pronto! Seus sapatos ficaram guardado em uma decorativa roda gigante flower power, ocupando pouco espaço e dando uma visibilidade display a algo que tantos lutam para esconder.
Não dê somente férias para seus pés, dê status para o seus sapatos.
E essa é a minha plataforma!



Cel. Von Lehmann