Toy Art é uma palavra que não sai da boca dos modernos. Aliás, a esta altura, até os não-modernos falam a respeito, tamanha a sua popularidade. Antes que perguntem, sim, eu sei que “Toy Art” não é uma “palavra”. Mas aprendam crianças, o velho Coronel aqui está acima de todas as leis, inclusive as gramaticais.
A proliferação destes plastiquinhos modelados coloridos é tão grande que, em breve, as pessoas vão começar a usar o argumento do antigo frequentador do barzinho: “eu já vinha aqui muito antes de que todo esse pessoal e era bem mais legal no inicio.”
Mudam os contextos, mas esta frase permanece viva na essência humana.
Retornando… Não vou falar deste assunto de ilustradores e artistas que começaram a pegar bonecos de brinquedo produzidos em série e repintá-los de uma forma customizada. Muito menos falar dos que produzem seus próprios personagens com formas iniciadas da estaca zero.
Minha intenção é debater outro aspecto deste movimento.
Pegar um bonequinho em branco e estilizá-lo com pintura é muito bacana e um bom exercício para mostrar quantos temas diferentes podem originar-se de uma peça comum.
Ao invés de uma tela em branco, um brinquedo em branco.
Mas vejo lojas destes colecionáveis e fico pasmo com os preços. Se antes os pais achavam exorbitantes os preços dos brinquedos, é melhor começarem a rezar para que seus filhos não virem um colecionador precoce destes.
Qual é seu ponto Coronel? O de alertar a todos da riqueza de matéria prima para Toy Art, e consequentemente decoração, que temos por aí.
Há uma quantidade enorme de cães de porcelana de gosto extremamente duvidoso prontos para serem pintados, alguns já vêm inclusive brancos de fábrica. Alguns objetos que poderiam seguir facilmente o princípio deste movimento podem ser reinventados facilmente, enquanto para outros o termo reencarnados poderia caber como uma luva, já que eles não tem mais uma motivação na terra.
Esta é minha deixa para apresentar o nosso colaborador de hoje, o Alexandre Kanashiro.
Formado em Artes Plásticas, o Kana (como é conhecido por alguns) sempre se envolveu com as mais diversas áreas artísticas, entre elas a música, onde cuida inclusive do projeto gráfico de suas bandas, ora Gasolines em São Paulo, ora Jungles Surfers, no Maranhão.
Sua empreitada prova como uma peça de arte modernosa está muitas vezes na sua cara, como no caso do Maneki-Neko, conhecido por muitos como o gatinho da sorte japonês.
No caso desse bibelô, poucos conhecem suas origens, modernos ou não . Algumas antigas lendas dizem que uma idosa dona de uma estalagem, possuía um gato que todas as manhãs se espreguiçava na frente do estabelecimento. Para os viajantes, o ato do gato limpar os olhos com a patinha, significava um convite, como se ele estivesse acenando para os viajantes. Também já li sobre versões de pessoas que cuidavam do gato doente e ele os recompensava e até mesmo algumas dizendo que o sinal da mão era usado como códigos para indicar um prostíbulo. Há tantas versões que não é possível uma conclusão definitiva.
Mas de todo modo o consenso é que o bichano tem a tradição de atrair clientes e que um dos braços levantados atrai freguesia enquanto outro atrai dinheiro.
Há controvérsias sobre qual braço levantado traz o que, mas mesmo assim sempre optam por levantar apenas um dos braços do bichano, já que os dois braços levantados iam parecer um assalto e isso não pegaria bem em um ambiente comercial. De todo modo, é possível encontrar um Maneki-Neko em estabelecimentos orientais convidando os clientes a entrarem na loja.
Uma coisa é certa, se São Paulo tem a maior colônia japonesa fora do Japão, a frase eu acho que vi um gatinho pode ser repetida regularmente.
Kana aplicou a grande sacada da Toy Art ao Maneki-Neko, reestilizando-o e mudando a atitude do bichano. As regras são simples, dependendo de sua habilidade artística:
FIGURA ” A “
Escolha a cor que servirá de base para o seu gato, pinte com tinta de cerâmica e aguarde a secagem completa. Recomenda-se um desenho inicial no papel para projetar seu novo gato. Você pode conseguir um clicando AQUI e apertando o botão IMPRIMIR de seu navegador.
FIGURA ” B “
Agora que você tem um gato-tela, inicie a pintura refinada com um pincel fino. Use seu desenho como referência.
FIGURA ” C “
Seu gato está praticamente pronto, a questão é se você o quer brilhante ou não, dependendo do gosto aplique verniz em spray em sua arte final.
Agora, pela tradição o Maneki-Neko deve ficar voltado de frente para a porta, para proteção. É um ótimo lugar para exibir a sua arte.
Mas o gato é seu e você faz o que quiser. Cuidado somente para não deixá-lo próximo de beiradas, pois esse não é daquele tipo que cai de pé.
Finalmente um movimento artístico legal pra cachorro!
Gostou e quer falar diretamente para o Kana?
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Cel. Von Lehmann